domingo, 19 de junho de 2011

Interrompendo Buscas

Assistindo ao ótimo "Closer - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a ideia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

(Marta Medeiros)

Ps.: Recebi esse texto por e-mail de uma amiga já faz algum tempinho e, por concordar em diversas partes, não pude deixar de publicar aqui, com os devidos créditos da autora. Quer saber? Assino em baixo!!!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Boa Noite, Lua!






Boa noite, Lua!
Boa noite, quarto!
Boa noite, cama!
Boa noite, tv!
Boa noite, ipad!
Boa noite, Fofinha! :)

Ps.: Tá bom, estou publicando isso às 11 horas da manhã, mas faz de conta que são 11 horas da noite de ontem! Não sabia que isso existia mesmo e quando vi num site desses daí não pude deixar de registrar aqui em Noites! Ahh… Imagino que vários “Boa noites” ainda aparecerão por aqui!!!

domingo, 5 de junho de 2011

Lixos da Vida

Nesta última sexta-feira a noite resolvi ficar em casa ouvindo música e então aproveitei o ensejo e fiz uma faxina nas minhas coisas. Abri cada gaveta, cada armário, cada local onde se amontoavam “troços” e joguei muita, mas muita coisa fora, pro lixão mesmo. Foram extratos bancários velhos, cartas e cartões que não fazem mais sentido para a atualidade, contas velhas, objetos sem uso enfim, tudo aquilo que no passado pode até ter sido importante, mas que hoje a única coisa que estão fazendo é ocupar espaço, tanto nos armários quanto na cabeça (e também no coração). E a cada arremesso de algo para o “recycle bin”, devaneios desfilavam pela minha cabeça, como se eu pudesse fazer uma viagem nostálgica e voltar no momento em que aquele documento foi registrado/criado/recebido ou objeto foi usado/adquirido. Às vezes ficava feliz em lembrar e às vezes ficava triste. Mas essa tristeza não era ruím. Era uma tristeza boa, se é que existe tristeza boa. Uma tristeza assim, meio que de alívio que aquilo passou e que acabou. Não acho que consigo colocar aqui em Noites o verdadeiro significado daquele sentimento de sexta-feira, se bem que isso agora não importa muito. O que importa mesmo é que as gavetas e os armários estão limpos, vazios e prontos para receberem novas coisas, novos momentos e novas alegrias, como eu mesmo já mencionei aqui com a história de uma fita de cetim!
E então pensei cá com meus botões: como é importante essa faxina. Como é importante você destruir e jogar fora esses resquícios de passado que devem ficar por lá, enterrados mesmo, como se tivessem sido um sonho ou mesmo um pesadelo. Como é importante para a nossa alma ser polida novamente, para que possamos voltar a brilhar, como diz a letra da música do Floyd: “Shine on your crazy diamond!” :)
Agora a próxima etapa e limpar tanto Paula Cristina, a velha Paula Cristina, como também Maria Catarina e, não podendo esquecer Jurema. Acredito que existam coisas nos seus discos rígidos que já deveriam ter sido deletadas a muito, mas muito tempo mesmo. Como já foi dito, novos arquivos e novos programas e também novas versões estão chegando e precisam de espaço. Então, mãos a obra…

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Canção do Momento

Mother
(Roger Waters / David Gilmour)
Mother, do you think they'll drop the bomb?
Mother, do you think they'll like this song?
Mother, do you think they'll try to break my balls?
Mother, should I build the wall?
Mother, should I run for president?
Mother, should I trust the government?
Mother, will they put me in the firing line?
Is it just a waste of time?
Hush now baby, baby, don't you cry
Momma's gonna make all of your nightmares come true
Momma's gonna put all of her fears into you
Momma's gonna keep you right here under her wing
She won't let you fly, but she might let you sing
Momma's will keep baby cozy and warm
Oh, baby
Of course Momma's gonna help build the wall
Mother, do you think she's good enough
For me?
Mother, do you think she's dangerous
To me?
Mother will she tear your little boy apart?
Mother, will she break my heart?
Hush now baby, baby, don't you cry
Momma's gonna check out all your girlfriends for you
Momma won't let anyone dirty get through
Momma's gonna wait up until you get in
Momma will always find out where you've been
Momma's gonna keep baby healthy and clean
Oh, baby
You'll always be baby to me
Mother, did it need to be so high?
Ps.: Não sei por qual motivo, mas essa música tocando agora neste momento que estou aqui com meus devaneios foi de uma perfeição incrível, principalmente o trecho: “Is it just a waste of time?”


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Emoções

Ultimamente, como diz a letra da música “Flor da Pele” de Zeca Baleiro, até beijo de novela está me fazendo chorar. Não, não é nada, assim, triste ou deprimento e sim emoções mesmo. Qualquer história (ou estória) que assisto e que desencane para um final legal (ou até ruím) eu estou curtindo e viajando. Acredito que isso seja pelos dias tranquilos de paz e de encontros que tenho passado na minha pequena intimidade. E o que me fez acordar um pouco para isso é uma série que começei a acompanhar e até comprei as primeiras temporadas. A série é Ghost Whisperer, e conta a estória da médium Melinda Gordon. Ela tem um dom de ver e ouvir fantasmas espíritos desencarnados que se encontram em outro plano. E então, sutilmente, ela tenta ajudá-los a resolver pendências que ficaram em vida para que eles possam finalmente descansar em paz ou “ir para luz”! O que eu passei a perceber assistindo a essa série é que, na maioria das vezes, deixamos muitas coisas pendentes em nossas vidas e também muitos casos mal-resolvidos. Deixamos de resolver problemas em relacionamentos com nossos pais, irmãos, amigos, colegas de trabalhos e também parceiros. E geralmente estes problemas envolvem, quase sempre, coisas do coração. São mágoas que ficam amarradas ou desentendimentos que muitas vezes não acertamos. Simplesmente deixamos de lado e optamos por esquecer! E então, subitamente essas pessoas que nos cercam são tiradas do nosso convívio, de uma forma ou de outra. E então o que era algo que poderia ser resolvido com uma simples conversa ou com um simples sorisso pode se tornar algo com proporções que sequer imaginamos. Não vou entrar em detalhes da doutrina ao qual eu acredito aqui, mas uma coisa você pode ter certeza: nada fica sem solução e sem resolução! Nada! De uma forma ou de outra, essas pendências serão resolvidas, quer seja de uma forma boa ou não. Na série, ao final de cada episódio os protagonistas conseguem se entender e resolver as divergências entre eles e não há um só que eu não me emocione como a forma que tudo termina. Teve um episódio de uma criança então que me tirou várias lágrimas. Sim, não tenho vergonha alguma de revelar isso, mas me emocionou tanto a conversa que ela teve com a mãe no final. A criança havia morrido em um acidente e a mãe ainda viva sofria muito, mas muito mesmo por acreditar que ela teve culpa no acidente. A história é muito triste e imagino que no final não há quem não fique emocionado com as palavras sinceras da criança. Tá, esse não é o tipo de pendência que eu me referi acima. Portanto, tente não deixar nada por fazer por aqui ou mesmo por resolver. Eu sei, é difícil… É muito difícil… Mas acredite: se você não resolver agora que é difícil, ficará muito, mas muito mais difícil à frente!