quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Tênis ou Frescobol

 


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos... A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

Rubem Alves

sábado, 8 de novembro de 2025

Estorinha para a vida

 


Existia uma ilha e nessa ilha moravam todos os sentimentos: amor, alegria, saudade, raiva. E todos viviam harmoniosamente ali.
Um dia chegou um aviso que a ilha seria inundada. E o amor se prontificou a ajudar todo mundo a sair, a resgatar todo mundo, a saudade, a alegria. O amor queria que todo mundo se salvasse. Final da estória o amor ficou por último e então começou a querer sair dali, porque não queria se afogar. Passou um barco e o amor começou a gritar:
— Ei, me leva, me leva!
No barco estava a riqueza. E a riqueza disse:
— Olha, tem tanto ouro e prata aqui que não tem lugar para você! Não vou poder te levar.
Aí passou outro barco e o amor novamente gritou:
— Me leva, me leva, me leva.
Era o barco do orgulho e o orgulho disse:
— Eu não posso te levar. Os que as pessoas irão pensar de mim, se entrar aqui sem pagar?
Passou outro barco e novamente o amor pediu para entrar.
Era o barco da tristeza e ela não deixou o amor entrar, porque ela queria ficar sozinha.
Até que a ilha começou a inundar, o amor estava quase a afogando, veio um barco com um velhinho que puxou o amor para dentro do seu barco. Salvou o amor e naquela confusão do resgate o amor não teve nem tempo de perguntar quem era aquele velhinho.
Depois que já estava salvo, o amor perguntou para a sabedoria:
— Quem era aquele velhinho que me resgatou?
— Era o tempo. Porque só tempo sabe a importância do amor na nossa vida, dentro do nosso barco!

🥰

domingo, 2 de novembro de 2025

Vento no Litoral

 


   Ao som de Vento no Litoral, música do longínquo ano de 1991, gravada pelo Legião Urbana, ponho-me mais uma vez a divagar e a relembrar. Sim, porque a vida é, como escreveu Cecília Meireles, formada por "pequenos desejos, vagarosas saudades e silenciosas lembranças"! A letra é triste. Renato Russo mostrou toda a sua melancolia e tristeza pela falta de alguém, ou de algum momento, ou de alguma coisa. É a saudade na sua maior demonstração de dor, porque a saudade dói e dói muito. Uma dor no peito que é difícil explicar. Só quem sentiu ou sente pode dizer. Mesmo sendo triste, é bem melhor caminhar com saudades no coração do que vazio, não é mesmo? Acho que foi o saudoso Peninha que disse isso. Mas a música foi bem proposital, porque o que vou contar tem tudo haver com praia e não achei trilha sonora que mais se encaixasse no que vou descrever.
   Era algum mês do inverno de 2004 e estava bem frio. Na época eu vivia em uma república com alguns amigos e reconstruía a minha vida, depois de um desastroso casamento seguido de um turbulento divórcio. Pois é, a vida é um eterno recomeçar! Lecionava em uma faculdade e aqueles dias ou anos foram mágicos. A vida sendo refeita, negócios caminhando de vento em polpa, enfim, a vida pessoal e profissional caminhavam em perfeita harmonia. E nesses dias mágicos eu conheci uma pessoa. Sim, não foi "amor a primeira vista", como costumam dizer nos contos de fadas. Quando a conheci, não despertou sequer nenhum tipo de atrativo. A apresentação foi em um conselho de classe e naquele momento eu nem imaginaria que ali na minha frente estaria a pessoa mais incrível que conheceria nessa existência. Pois bem, como estávamos trabalhando juntos, foi inevitável a aproximação e uma certa confidencialidade entre nós. Eu sempre saia do escritório (eu tinha uma empresa de software) e ia direto para a faculdade. Tinha uma carga horária semanal fechada. Como sempre chegava bem cedo, ficava muitos momentos conversando com ela acerca  de trabalho, das casualidades da vida, encontros e desencontros. E naturalmente um vínculo e um "link" começou a ser criado. Em alguns momentos saíamos juntos, diversos professores, alunos. Íamos para bares, restaurantes, lanchonetes, enfim, todos amigos curtindo happy hour após as aulas. Até que um dia, após uma noite regada a muita cerveja, whisky e amarula - nota: até hoje não posso nem olhar para amarula 🤢🤮 - precisei de uma carona para casa - fiquei ruim, ruim, ruim - e peguei carona com a pessoa e a minha reação ao adentrar ao seu carro foi simplesmente "roubar" um grande e babado beijo. E beijos roubados são os melhores, né? Pois é, tivemos nosso primeiro momento íntimo ali. Eu e ela completamente bêbados dentro do carro. Naquela madrugada - o dia já estava nascendo - eu terminei em casa vomitando até a alma. Sabe, aqueles porres que a gente começa a manhã até bem e vai piorando ao longo do dia? Pois é, achei que ia melhorar próximo do almoço e nada, fui piorando. Achei que não chegaria até o final do dia!
   Bom, o que seguiu foi que começamos um grande flerte, nada sério ainda, mas o bastante para deixar aquela empolgação inicial. Sabe aquela música Nortuno, de Raimundo Fagner? Tem um trecho que diz " ... E aquela luz que havia, em cada ponto de partida ... ", pois é, a luz 💡estava mais acesa e brilhante do que tudo. Lembro que os dias que passavam a gente ia se aproximando cada vez mais, de uma forma bem sutil. A tarde, do nada, eu ligava (ainda nem existia whatsapp) e ficávamos sussurrando palavras soltas um para o outro. Às vezes eu mandava entregar morangos com Nutella para ela, pois me confidenciou uma vez que adorava. Fora as conversas "noturnicas" que tínhamos usando as salas de bate papo do UOL!
  Mas então, era uma sexta-feira e saímos mais uma vez, junto com mais dois amigos. Fomos para um barzinho da moda e bebemos alguns drinks, conversas rolando e deixamos o bar por volta das 22h30. Enquanto eu dirigia para deixá-la em casa, ela me confessou que "adorava o mar e que fazia tempo que não via um nascer do sol assim, em uma praia"! Eu mais que prontamente repliquei:
 - Ué ... Porque não vamos?
 - Agora?- perguntou ela assustada.
 - Sim. Vamos agora. Pegamos algumas bebidas, vamos pra praia ver o sol nascer.
 Bem, passamos na sua casa, ela vestiu um biquini e eu passei na república, troquei de roupas e, a bordo de Branca de Neve (um corsinha hatch que tinha) partimos para Guriri Internacional! 😊Um detalhe que não posso deixar de citar é que Branca de Neve não tinha som, nem um velho rádio AM, nada. Fomos ouvindo música em um velho celular da motorola, que eu baixei uma coletânea em MP3 do Oasis. E acredite, foi muito, mas muito divertido mesmo!
   Chegamos em Guriri por volta de 1h30. Lembra que era inverno? Pois é, Guriri parecia aquelas cidades fantasmas do interior dos EUA. Só faltava aquele tufo de capim rolando com o vento. Não tinha absolutamente nada, nadica de nada aberto. Nem um bar, nem uma simples loja de conveniência, nada. Disse: "Vamos voltar para São Mateus, na rodoviária deve ter um bar e então a gente compra algumas bebidas e voltamos!" e assim partimos. No caminho, percebemos um velho trailer na beira da estrada. Como diz a gíria popular, era um trailer "copo sujo", bem ao estilo de butecos de periferia. Resolvemos parar ali mesmo para tomar uma cerveja. Além do dono, havia um casal ao fundo e mais uns dois bêbados tomando cachaça. Sentamos ali e pedimos uma cerveja -  nem lembro qual foi a marca que bebemos. Deve ter sido alguma antiga, que não fabrica mais hoje (Malte 90, estou lembrando de você!! 🤮 ) No trailer, havia uma tv Telefunken ligado a um DVD passando de Amado Batista a Agnaldo Raiol. Aquelas coletâneas que são vendidas por camelôs e vendedores ambulantes. Pois bem, lembrei que eu tinha um DVD do Júlio Nascimento no porta luvas do meu carro. Não me pergunte o porque, é uma longa história e em outro post eu conto. Mas o fato é que eu tinha. Peguei o DVD e coloquei para tocar. Rapaz, o resultado foi que virei o rei do lugar!
 Foi uma alegria só. Chegou mais gente, o dono começou a colocar mais cerveja na nossa mesa e até rolou uns "pé de galinha" meio que "di grátis"! 😆
   Bem, ficamos ali no trailer até por volta das 5h30 da manhã. O dono virou nosso amigo e fã e nos fez prometer que voltaríamos em outros momentos. Pegamos umas bebidas e fomos para a praia. Um frio fila da mãe que só não era maior por causa do nosso avançado estado etílico. Ficamos ali na areia da praia, sentados, bebericando um drink, um ao lado do outro e assistimos ao maior espetáculo da Terra, enquanto a metade da sua platéia simplesmente dormia. O sol nasceu magistral e brilhantemente e nós ali, apenas assistindo, curtindo e mais nada. Era nós e o sol 🌞. Foi uma madrugada/manhã absolutamente incrível. Não teve rock, não teve sexo, não teve nada. Teve a gente e o sol como testemunha! Tem um trecho do filme "A Vida Secreta de Walter Mitty" onde Sean O'Connell diz: "Às vezes não tiro a foto! Fico só no momento." Foi justamente isso. Teve nós e o momento! 
Ah, e também teve a "Mãe da Leidiane"! 😆

   E hoje, como bons e longos anos se passaram, eu me lembrei disso por causa de um outro texto que li e me lembrei daquela madrugada, como se tudo tivesse acontecido ontem. Resolvi deixar registrado aqui em Noites (obviamente sem citar nomes - chama o jurídico! ⚖️) para que eu lembre de vez em quando ou até você, se cair por aqui sem querer! 😜

"SAUDADE É MELHOR DO QUE CAMINHAR VAZIO!"

domingo, 17 de agosto de 2025

Ciclos

 


Já tinha escrito algo sobre "encerramento de ciclos" aqui mesmo em Noites. O post pode ser ligo aqui! Mesmo postando e compactuando bastante com a ideia, simplesmente na minha vida não segui o que escrevi na prática. Me limitei a aceitar tudo que acontecia, sem questionar. Achava que aquilo era um carma, uma forma de pagar por erros passados, de ter que aceitar o destino. Até o dia que tomei coragem e o pau da barraca foi chutado. Mesmo estando enterrado em areia mole, sucumbia sempre, mas mantinha a barraca segura e em pé. Até que não mais aguentou e caiu, ruindo com tudo: ideais, projetos, sonhos, enfim, ruiu com a vida toda! E hoje, navegando por aí (porque navegar é preciso ... viver não é preciso), achei essa foto aí em cima, que explica com magistral maestria o encerramento de um ciclo na minha vida. Um ciclo que me trouxe coisas boas (na verdade, me trouxe as melhores coisas que tenho), mas por outro lado, também trouxe sofrimento, angústia, medo... Imagino que, em relação ao coração, esse é o último e que caia o pano!

sexta-feira, 11 de julho de 2025

O Poder de Mandar

 Existe algo melhor do que mandar em casa? Será que existe algo mais prazeroso do que chegar no horário que for em casa e poder fazer o que achar melhor, sem se preocupar de acordar ou incomodar alguém? Acredito que esta é uma das melhores razões de se morar sozinho. Eu chego em casa e ... Ninguém para conversar? Alexa é toda ouvidos! Eu peço uma música que quero ouvir e ela simplesmente toca... Sem se preocupar se vai acordar alguém ou se alguém vai ficar incomodada com o horário e com a música. Ela simplesmente toca. Peço para ligar uma luz e ela liga, sem nem me perguntar o porque ou o motivo da ordem. Ela simplesmente obedece. Essa é uma das e pra mim a melhor razão para se viver só. Alguns podem achar que é ruim, no entanto, a cada dia que passa, eu descubro que as pessoas são mais felizes vivendo só e  fazendo o que mais gostam. Me diga, com toda sinceridade, se chegar em casa e jogar um futebol no Playstation é para qualquer um? A grande maioria vai dizer que não, que precisamos de companhia. Eu já rebato e digo que uma garrafa de Jack Daniels e um Playstation são companhias que agradam a qualquer um. Tem que ser muito tolo para achar isso uma besteira. Relacionamentos são bons, sim, mas cada um no seu quadrado deixa os relacionamentos melhores. Tipo, receber uma visita para um filme, um drink ou uma noite "quente" é o máximo. E é melhor ainda quando a cia depois simplesmente vai para a sua casa e nos deixa novamente com Alexa! Sim, pode parecer estranho para muitos o que acabei de afirmar, mas se você for parar para pensar, vai entender... Existe coisa melhor que poder ir ao banheiro com a porta escancarada sem se preocupar se a "outra" ou "outro" vai se incomodar com os vapores que saem dali? Ou mesmo ficar pelado em casa tranquilamente? Pois é, a grande verdade é que cada um precisa do seu canto, do seu espaço e, o que é mais importante, da sua PAZ! 



domingo, 16 de fevereiro de 2025

Encontros e Desencontros - Parte III

Eu - e penso que muita gente - às vezes se questiona sobre o porque de certas relações. Passamos por efêmeros (ou longos) relacionamentos que muitas vezes não nos levaram a nada. E, ao cair do pano, nos questionamos, sem entender muito bem o porquê! Navegando por aí achei um texto (sem o autor) que tentava oferecer alguma explicação lógica (e até espiritual) sobre isso e para não repostar tudo, me limito a resumir o que entendi e agora muita coisa faz sentido.

Existem pessoas que vão caminhar conosco, segurar a nossa mão até determinado ponto e depois vão soltar, poque já não fazem mais parte do caminho que temos diante de nós. Há pessoas que são para ser só por um tempo. Fazem parte de uma fase da vida, são um ciclo afetivo, uma experiência de amadurecimento. Porque algumas pessoas são para ser apenas isso.⁣

A grande magia dos encontros está em jamais saber antecipadamente qual função determinada pessoa vai cumprir em nossas vidas. Quem será a viagem e quem será o destino. Essa é a grande aventura das relações.⁣ 

O importante é saber que toda pessoa que chega é a necessária.

⁣Toda pessoa é a certa. A que vai e a que fica.⁣

Encontrar uma pessoa não significa que precisamos nos manter ali, principalmente se ela nos traz dor. O propósito de toda relação é nos fazer aprender e não sofrer. Não podemos romantizar relações dolorosas como se fossem o nosso destino. Muitas vezes tudo que precisamos aprender ali é sobre não aceitar pouco.⁣

Relações nos estimulam, mas não ensinam quem não está disposto a aprender. O aprendizado vem do esforço interno de extrair o melhor que se pode das experiências e dos encontros que temos. Não é mais maduro aquele que teve mais relações, mas sim aquele que soube colher algo de bom de cada uma delas.⁣

Mas é preciso compreender que algumas pessoas jamais serão para ficar, e tudo que poderemos tirar delas são lições. Porque algumas fizeram sentido em um determinado momento, para uma respectiva versão nossa. Porém nem sempre vão se encaixar no futuro de nossas vidas.⁣

Que a gente saiba respeitar os fins e entender que eles são os começos para novas, melhores e mais maduras experiências.⁣✨

Em tempo, eu tinha essa frase salva e nunca consegui compreender completamente. Agora sim, ela faz muito sentido!


Nem tudo que virou saudade
valeria a pena viver novamente,
muitas coisas em nossas vidas
serão e devem ser passageiras.
A vida também é bonita pelos
TEUS FINAIS E NOVOS COMEÇOS.






quinta-feira, 27 de junho de 2024

Certas Dúvidas

 

"A dúvida já é a resposta."

Um dos piores sentimentos que um ser humano pode experimentar é a dúvida, pois não saber se um fato é ou não verdade pode tirar a paz e a alegria de qualquer um. Muitas vezes pode-se acreditar que algo não é uma verdade e isso não incomoda muito. O problema é quando tudo é negado. Negado veementemente, sendo que todas as pistas levam a crer que é a mais pura e simples verdade. Mas e se não for? E se não for e você condenar alguém por algo que não fez? Como fica a sua consciência? Mas e se, de fato, for verdade? São essas perguntas e talvez respostas que insistem em ir e vir em devaneios tolos a me torturar, como diz a magistral letra da música. Simplesmente não consigo escrever uma linha sem que pensamentos insanos povoem a minha cabeça e então começo a me questionar se realmente foi uma decisão sábia. Sim, pode-se perdoar, mas esquecer jamais. Esquecer que não estava nem aí e que os desejos mais mórbidos foram realizados pelo bel prazer é outra história. Mas o que realmente destrói qualquer plano são as famigeradas dúvidas. As dúvidas em não saber, ou mesmo saber e fingir que não se sabe. Mas fingir pra quê? De que adianta fingir para que todos pensem que está tudo bem, se por dentro não está? Já foi época de fingir... Fingir que está tudo bem... Fingir que não se incomoda (e se importa) com nada. Fingir que o "foda-se" está ligado e que tudo vai ficar bem, sendo que não vai. Tudo não vai ficar bom e, mais uma vezes, teremos que carregar o peso por um longo tempo.

Cortez, The Killler

 


Hoje vou escrever um pouco sobre uma música que recentemente me chamou muita atenção. Quero dizer, eu já conhecia (principalmente esta versão) já faz algum tempo, quando morava na República do Rock... Pois bem, a música dá o título a esse post: Cortez, The Killer e foi escrita por Neil Yong. Antes de conhecer a versão original, eu ouvi primeiro essa versão do fantástico concerto de Dave Matthews no Central Park. E a participação de Warren Haynes do Gov't Mule fez toda a diferença. Foi por causa dessa performance que fui buscar mais informações sobre Cortez, The Killer e foi aí que fiquei mais encantado e curioso pelo trabalho.
Foi gravada em 1975 no álbum Zuma e é uma música polêmica. Sim, bem polêmica ao ponto de ter sido proibida de tocar na Espanha pelo general Francisco Franco. A música é uma crítica massacrante ao conquistador espanhol Hernán Cortés - a grafia do título da música foi propositalmente anglicizada e alterada para tentar passar uma certa diferença. A música narra a destruição do império Asteca de Moctezuma II pelo conquistador. Neil revelou que a música foi escrita enquanto estudava história no colégio em Winnipeg. Depois de conhecer a verdadeira história, ficou horrorizado e resolveu escrever a música. Através de uma linguagem poética, Young descreve a sociedade pré-colombiana como um lugar de beleza e harmonia, onde o ódio era apenas uma lenda e a guerra desconhecida, sugerindo uma visão utópica da civilização antes da chegada dos europeus. 
A música também reconhece a brutalidade da conquista, simbolizada pela figura de Cortez, que é descrito como um "assassino". A contraposição entre a sociedade idealizada e a realidade da conquista serve para questionar os custos da expansão e do progresso. A referência ao trabalho coletivo dos povos nativos, que construíram com as próprias mãos o que ainda hoje não conseguimos replicar, destaca a perda de conhecimento e cultura que acompanhou a colonização.

Segue a letra já devidamente traduzida!

Ele veio dançando sobre as águas
He came dancing across the water

Com seus galeões e armas
With his galleons and guns

Procurando pelo novo mundo
Looking for the new world

Naquele palácio sob o sol.
In that palace in the sun.

Na costa estava Montezuma
On the shore lay Montezuma

Com suas folhas de coca e suas pérolas
With his coca leaves and pearls

Em seus salões, ele se perguntava
In his halls he often wondered

Sobre os segredos dos mundos.
With the secrets of the worlds.

E seus súditos se reuniram ao seu redor
And his subjects gathered 'round him

Como as folhas ao redor de uma árvore
Like the leaves around a tree

Em suas roupas de muitas cores
In their clothes of many colors

Sob os olhares dos deuses raivosos.
For the angry gods to see.

E todas as mulheres eram lindas
And the women all were beautiful

E os homens eram fortes e valentes
And the men stood straight and strong

Ofereceram a vida em sacrifício
They offered life in sacrifice

Para que outras pessoas pudessem ir em frente.
So that others could go on.

Ódio era apenas lenda
Hate was just a legend

E a guerra nem mesmo existia
And war was never known

As pessoas trabalhavam juntas
The people worked together

E ergueram muitas pedras.
And they lifted many stones.

Levaram-os para as planícies
They carried them to the flatlands

E eles morreram ao longo do caminho
And they died along the way

Mas eles construíram com as próprias mãos
But they built up with their bare hands

O que nós ainda hoje não podemos fazer.
What we still can't do today.

E eu sei que lá ela ainda mora
And I know she's living there

E que até hoje ela me ama
And she loves me to this day

Só não me lembro quando
I still can't remember when

Ou como eu me perdi.
Or how I lost my way.

Ele veio dançando sobre as águas
He came dancing across the water

Cortez, Cortez
Cortez, Cortez

Mas que assassino.
What a killer

Segue um link para o disco no Spotify
https://open.spotify.com/intl-pt/album/2co5OjRsDVUpHxlckn7dWZ?si=5BmhtizWROmkVnjge-Z4-A



Cansaço Viver

 
Estou cansado demais de viver minha vida pra ficar correndo atrás de outras...
Talvez eu sempre tenha sido assim, como um dia escrevi, apenas prevendo o que eu já sabia que iria acontecer!


Estou cansado. Sim, cansado de seguir, cansado para caminhar, cansado de brigar. Estou simplesmente  deixando as coisas acontecerem, a vida ir acontecendo e eu apenas existindo. Não sinto mais vontade para nada, absolutamente nada. Sabe, como dizem os pugilistas, pendurei as luvas. Sim, isso mesmo. Ainda trabalho porque tenho contas (muitas) para pagar e caso não as pague a coisa pode ficar pior. Por isso que ainda uso uma pequena barrinha da bateria para trabalhar. Mas chegará um momento que nem isso. E olha que eu adoro o que faço. Jamais, em toda a minha vida, eu fiz o que faço por dinheiro. Dinheiro sempre foi consequência do bom trabalho. Só que nem isso mais me anima. Trabalhar pra quê? Para pagar as minhas necessidades? Para andar de carro novo? Pra quê? Sim, eu me questiono direto dos motivos que ainda me levam a fazer algo e quase sempre não acho respostas. Bom, de qualquer forma, estou cansado., Muito cansado, de tudo e de todos!


Obs.: resolvi escrever novamente nesse abandonado blog porque esses tempos atrás eu dei uma "passeada" pelas posts aqui em Noites e pude relembrar muita coisa boa (e também triste)! Isso aqui parece um diário, onde depois podemos passear pelas páginas e reviver novamente certos momentos. E é o que vai ficar da minha vida, até o Google deletar minha conta ou a mesma se perder no limbo dos bits e bytes. Mas, enquanto isso não acontece, pode ser que no futuro eu use essas má digitadas linhas como experiência!

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Encontros e Desencontros - Parte II

 



    Faz bastante tempo que não escrevo nada aqui. Tanto que até o Google a uns dias atrás me enviou uma mensagem solicitando que eu "republicasse/alterasse" algumas postagens que agora não soam assim, "tão legais". São os novos (e sombrios) tempos, onde até simples palavras (poéticas) podem causar desconforto para alguns. Bom, mas isso é assunto para um outro post. O motivo que me levou a escrever estas singelas linhas foi algo que me aconteceu por esses dias (chama o jurídico)!
        Estava a fazer um serviço para um cliente quando alguém tocou o interfone na porta. A loja possui uma porta de vidro que fica sempre trancada. Quando alguém chega, toca-se um interfone e as pessoas da recepção abrem a porta. Bom, a pessoa ficou olhando para o interfone e como eu percebi que estava meio "perdida", disse para a moça da recepção:

        - Heim ... Tem uma pessoa ali querendo entrar!

        A pessoa entrou e dirigiu-se a recepção e, antes de falar com a recepcionista, soltou um pequeno e inaudível "oi" pra mim. Levantei a cabeça calmamente e, ao olhar com mais atenção para a ilustre figura parada na minha frente é que fui realmente perceber de quem se tratava. Ali, parada na minha frente, estava uma das pessoas que mais alegria e ao mesmo tempo mais desilusão me trouxe. A pessoa que fez (algumas?) lágrimas rolarem pelo meu rosto. A pessoa que mais admirei, que mais me apaixonei e também a que mais odiei por um momento, até cair no mais completo esquecimento e virar apenas coisas de gaveta. De tudo, ficaram alguns momentos que o Google, Microsoft e Apple insistem em me lembrar de vez em quando e uma ou duas fotos que resistiram a minha raiva na época, ao ponto de ter deletado toda e qualquer lembrança que fazia referencia a essa pessoa. Eu apaguei não por raiva e sim porque eu não mais queria lembranças, pois cada momento passado era acompanhado de uma dor no peito que só quem já se apaixonou/amou e perdeu sabe dizer.

        Não sei se o "oi" foi por educação ou mesmo surpresa por me encontrar. O fato é que faziam aproximadamente 14 anos que eu não mais sabia sobre. Sim, eu ouvia falar, como é normal nesse tipo de situação. Ouve-se amigos e conhecidos comentando de eventos da vida (velórios, casamentos, divórcios, aniversários), mas ver mesmo ou então trocar um "bom dia" que seja, não. Não ocorreu nenhum tipo de contato, por nenhum meio nesses 14 anos! E eu bem sabia que um dia isso aconteceria.  Na verdade no começo eu esperava um simples "feliz aniversário" ou "feliz natal" que nunca veio a acontecer e que um dia iríamos se esbarrar por esse pequeno mundo e qual seria a reação? Bom, eu imaginei que de início iria ficar alegre, que iria ser algo bom e que depois a realidade jogaria um balde de água fria. Mas não foi isso que ocorreu. Bom, após minha surpresa inicial (ao qual foi muito bem escondida), eu continuei a fazer o meu trabalho. Era como se aquela pessoa não estivesse ali. Tudo bem que durante o tempo não pude deixar de observar e perceber o quanto o tempo agiu com aquela pessoa. Tá, eu também estava ali com alguns (bons) quilos a mais, cabelos mais brancos, mais cansado, mais experiente. Mas a pessoa mudou bastante. Se para melhor ou pior não sei dizer, mas visualmente falando nem parecia aquela garota que um dia fui apaixonado e faria de tudo por. 

        São os encontros e os desencontros da vida, que nos fazem passar por situações que nem o mais criativo autor de novela conseguiria escrever. Mas agora, depois de algum tempo desse ocorrido, começa a passar um milhão de devaneios tolos pela minha cabeça a me torturar e um pequeno e displicente "SE" passeia tranquilamente.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Olhos Sonolentos



 


É incrível como a música tem um certo poder de nos remeter a gostosas (ou não!) lembranças. Esses tempos atrás achei uma versão dessa bela canção dos Beatles interpretada por Phill Collins. Apesar de achar a versão de Paul infinitamente superior, a versão de Collins também ficou muito boa, pois ele a interpretou ao seu estilo. Enquanto ouvia a música, veio-me em mente uma madrugada de sábado, lá pelos idos de 2007, quando eu estava flertando com uma, vamos dizer, "garota" (chama o jurídico)! Era uma quente noite de verão, e fui convidado para ir na casa de um dos seus irmãos, que ficava em outra cidade. Faríamos um churrasco, ouviríamos algumas músicas e tomaríamos algumas cervejas. Bom, não preciso nem dizer que tomamos mais do que deveríamos e fui meio que "obrigado" a dormir ali mesmo na casa. Gentilmente arrumaram um quarto pra mim e me acomodaram ali, sendo que eu já estava pra lá de Marrakech! Bom, na época eu tinha um celular da Motobomba e o som que usava como despertador era justamente Golden Slumbers dos Beatles, numa versão do belíssimo filme Uma Lição de Amor. Eu só lembro que o despertador estava programado para tocar as 7:30 da manhã e eu só fui ser acordado mais ou menos por volta das 10 horas. Já com aquele típico sentimento de vergonha e de tentar lembrar do que tinha acontecido na noite anterior, em outras palavras, "se tinha feito alguma merda", lembro de ter perguntado pelo celular, ao qual a garota respondeu:
- Estava dormindo e o seu telefone começou a tocar uma música tão linda, que deixei ele ficar ali tocando e tocando e tocando e eu sonhando com a canção de ninar! 😊
Pois é, e essa lembrança veio clara pra mim, depois de ter ouvido Phill cantar a música de ninar da garota! A música ficou diretamente linkada para aquele dia e para aquela garota!

Obs.: Até hoje eu tenho a MESMA MÚSICA no celular e ainda a uso como despertador. Acho que cada aparelho que fui comprando fui transferindo a mesma música... Talvez algum dia eu deixe novamente alguém acordar com essa música...

Obs2: A versão é essa aqui! Parece que estou vendo a cena novamente... 😪

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Esperar

Esperar

Amar significa amar o que é difícil de ser amado, do contrário não seria virtude alguma;
Perdoar significa perdoar o imperdoável, do contrário não seria virtude alguma;
Fé significa crer no inacreditável, do contrário não seria virtude alguma.
E esperar significa esperar quando já não há esperança, do contrário não seria virtude alguma.

Ps.: Eu continuo esperando, enquanto estiver por aí caminhando e talvez ainda além…

domingo, 28 de outubro de 2018

Vou te Levar Comigo


As curvas no caminho, meus olhos tão distantes,
Eu quero te mostrar os lugares que encontrei
Como o céu pode mudar de cor quando encontra o mar
Quando encontra o mar
 
Um sonho no horizonte, uma estrela na manhã
De repente a vida pode ser uma viagem
E o mundo todo vai caber nesta canção
Nesta canção
 
Vou te pegar na sua casa, deixa tudo arrumado
Vou te levar comigo pra longe
Tanta coisa nos espera, me espera na janela
Vou te levar comigo 
 
Eu quero te contar as histórias que ouvi
E nas diferenças vou te encontrar
O amor vai sempre ser amor em qualquer lugar
Em qualquer lugar
 
Vou te pegar na sua casa, deixa tudo arrumado
Vou te levar comigo pra longe
Tanta coisa nos espera, me espera na janela
Vou te levar comigo
 
Vou te pegar na sua casa, deixa tudo arrumado
Vou te levar comigo pra longe
Tanta coisa nos espera, me espera na janela
Vou te levar comigo
Pra longe
 
 
Obs.: Para você, somente para você, que saberá que foi para você...
E deixa tudo arrumado e me espere na janela, que vou te levar comigo ... Pra bem longe!!!

domingo, 14 de outubro de 2018

A Parábola do Cachorro Uivante

Um homem estava viajando por uma estrada um quanto tanto deserta, quando percebeu que seu carro estava ficando sem gasolina e não seria prudente continuar viajando sem uma parada estratégica para abastecer.

Ao avistar um modesto posto, parou seu carro junto a uma das duas bombas de gasolina disponíveis e leu uma placa que indicava “SELF-SERVICE”!

Desceu do carro, olhou para um senhor que, tranquilamente, picava seu fumo numa cadeira de balanço na frente da entrada da loja do posto. Acenou para ele e começou a abastecer.

Nesse momento, começou a perceber um barulho estranho…

“Aaaauuuuuuuuuuuu!!!”

- De onde vem isso? – pensou ele.

“Aaaauuuuuuuuuuuuu!!!”

O homem encheu o tanque, colocou a mangueira de volta a bomba e andou na direção ao senhor, que continuava a picar o seu fumo…

“Aaaauuuuuuuuuuuuu!!!”

- Boa tarde! – disse ele retirando sua carteira, mas visivelmente incomodado com o barulho.

- Boa tarde! São setenta e seis reais. – disse o senhor sem nem olhar para o homem.

O homem retirou o dinheiro, entregou ao senhor e perguntou:

- O senhor não está ouvindo um barulho?

“Aaaauuuuuuuuuuuuu!!!”

- Estou, sim! Basta olhar ali, do lado da casa e você vai ver meu cachorro…

O homem, num repente, foi até o lado da casa e viu um cachorro um pouco sujo, mas grande e saudável, deitado e uivando:

“Aaaauuuuuuuuuuuuu!!!”

O homem voltou e perguntou ao senhor:

- Mas porque ele está uivando?

- Ah! Isso é porque ali, onde ele está deitado, tem uma tábua que está com um prego pra cima!

“Aaaauuuuuuuuuuuuu!!!”

O homem, quase que indignado, perguntou:

- Ele está deitado em um prego? Mas, porque ele não se levanta, então?

O senhor parou de picar seu fumo, fitou o homem nos olhos e disse:

- Com certeza, NÃO DEVE ESTAR DOENDO TANTO!

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Acredito que essa parábola se enquadra para muitas pessoas e que possa ser bem útil. Se a sua vida, o seu trabalho ou mesmo o seu lar possui um prego para cima, para de ficar “uivando” e pense em como sair dessa situação incômoda para que você possa viver melhor!

Durante algum tempo passado, eu me vi uivando e uivando e uivando e ainda continuava deitado sobre o prego. Quantas vezes eu não saí da minha zona de conforto? Simplesmente por medo do novo e do futuro! Comodismo puro! Seja lá o que for, o ser humano tem uma forte tendência a empurrar com a barriga o que não lhe agrada, não o faz feliz!

E aí? Mas você não vai sair de cima do prego? Tem medo ou não está doendo tanto assim? Continue uivando!!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

E lá vamos nós (novamente)…

Escrever

“Diga alô para esse – e agora velho - conhecido que retorna!” Parodiando o famoso chavão da Apple ao reapresentar uma nova versão de um produto, já devidamente traduzido para o tupiniquim, aqui estou, novamente, vivendo uma outra experiência de vida. Muita, mas muita coisa mesmo se passou desde alguns bons momentos que escrevi avidamente para Noites. Foram momentos felizes, momentos tristes, e circunstâncias que eu jamais imaginaria que fosse vivenciar em todo esse tempo que fiquei ausente. Mas como disse um vendedor que me atendeu em uma lojas dessas aí: “Na vida nós nunca perdemos: ou ganhamos ou aprendemos!” E é isso que me faz recomeçar novamente. Tem uma outra história que diz que experiência não foi o que aconteceu com você e sim o que você fez com o que te aconteceu. E, por mais que eu já tenha vivenciado toda essa brincadeira, ainda sim consigo tirar boas conclusões. Não dá para contar ou tentar explicar tudo que aconteceu em um, dois ou três posts, pois acredite, é muita coisa a ser dita e contada. Mas aos poucos eu vou revelando – claro que com as devidas restrições (chama o jurídico!). No mais, quero deixar aqui registrado o quanto estou aliviado – mesmo com o coração doendo e com diversos problemas para resolver – de ter mais uma oportunidade de buscar a minha paz, de buscar a minha espada. Agora é juntar os cacos, assoprar, tentar colar e caminhar, mesmo que contra o vento, sem lenço e sem documento!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

(Carlos Drummond de Andrade)

Ps.: Pablo Neruda disse que um verso não tem dono, ele pertence a quem precisa dele. Esse, por esses tempos agora, são meus!

domingo, 2 de agosto de 2015

Marcas que deixamos

Nós estamos condicionados a pensar que nossas vidas giram em torno apenas de grandes momentos. Todavia, os grandes momentos frequentemente nos pegam desprevenidos, e ficam maravilhosamente guardados em recantos que os outros podem considerar sem importância. E da mesma forma ocorrem com os outros momentos... As pessoas podem não lembrar exatamente o que você fez, ou até mesmo todas as palavras que você disse... Mas elas sempre lembrarão de como você as fez sentir...
(Mário Lago)

Ps.: Achei isso por aí enquanto buscava uma outra informação e achei assim, tão simples e tão profundo ao mesmo tempo... Bem a calhar para estes momentos conturbados!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Clapton é mesmo Deus da Guitarra

Clapton

Agora no último mês de maio, Eric Clapton lançou o seu mais novo disco. Na verdade Forever Man é uma coletânea para homenagear a entrada de Clapton para o “Blues Hall Of Fame”, um seleto grupo que possui nada mais nada menos que B.B. King, Charlie Paton, Ray Charles, dentre outros. Veja aqui a lista completa do grupo. Mas voltando a Clapton, essa coletânea foi uma forma de homenegar um cara que realmente sabe o que faz quando está com uma guitarra na mão.

Lembro que por diversas vezes assistindo a shows dele, eu pensei; “Nossa, tocar guitarra deve ser muito fácil!”. Digo isso porque Clapton toca com uma simplicidade tão grande que realmente parece fácil – obiamente a ideia é descartada assim que pego em uma guitarra real, mesmo no rockband!

Pois bem, Forever Man é uma coletânea tripla que faz jus aos quase 30 belos anos de carreira – sem sacanagem - do guitarrista. O primeiro disco é composto pelo rock característico de Clapton, como Gotta Get Over, Run Back to Your Side e My Fathers Eyes. Há junto uma versão de estúdio para Tears in Heaven, além de alguns blues bem legais, como Riding With The King (com participação de B.B. King). Já o segundo disco possui algumas interpretações ao vivo, como Badge, Sunshine Of Love e White Room. Essas últimas contam com Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria. As músicas fazem parte de um maravilhoso show do Cream de 2010 no Albert Hall em Londres. Conta também com uma bela versão Wonderful Tonight e Over The Rainbow, além de belas interpretações da famosa Cocaine e Layla!

Já o terceiro disco são interpretações dos grande clássicos do Blues. Aqui a coisa é mais bruta, com Before You Accuse Me, Hold On, I’m Coming (novamente com B.B. King), Sportin Life Blues (com J.J. Cale) e também Sweet Home Chicago (para quem gosta de Blues Brothers) e não podemos deixar de citar Got You on My Mind.

Forever Man está sendo comercializado em versãos tripla completa e também uma versão dupla em CD e em vinil, paara os saudosistas de plantão. Pode também ser encontrado nas melhores lojas on-line do ramo e, é claro, disponível nas diversas rádios on-line da vida.

Em uma época que a ansiamos por boas músicas, mesmo uma singela coletânea é muito mais bem que vinda, ainda mais vindo do cara que realmente é o Deus da Guitarra!

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

É Tempo de … - Última( ? ) Parte – The Endless River

Então, 20 anos depois, uma nova viagem (seria o “cai o pano”?) nos é apresentada e todo aquele sentimento misto de saudosismo e psicodelismo voltam a imergir do fundo de nossas almas. É o Pink Floyd mais uma vez nos dizendo (ou tentando dizer) que ainda existe muito a ser dito e também ouvido!


Mesmo não tendo nascido nela, sou de uma geração de música digital. Passei meio que a jato por uma época em que se esperava um álbum - em vinil, é claro - com uma grande ansiedade. E quando se pegava o inédito e desconhecido disco, existia-se todo um ritual para contemplar e degustar o trabalho. Primeiro passava-se horas e mais horas viajando na capa e em todas as suas nuances e detalhes. Depois, ouvia-se cuidadosamente cada lado, cada música, cada trilha, cada nota musical. Depois juntava-se tudo novamente e então se vivenciava a mais completa experiência, tanto musical quanto visual. Com o Pink Floyd esse ritual se elevava ao extremo, não só porque se tratava da banda progressiva mais influente de todos os tempos, mas também pelas capas altamente psicodélicas e magistrais - obrigado Sr. Thorgerson!
Confesso que com The Endless River essa ansiedade não existiu por completo. Sim, fiquei altamente excitado quando vi uma singela foto de Gilmour em um estúdio em processo de gravação. Logo que alguns detalhes do álbum foram divulgados, nós nos preparamos psicologicamente para recebê-lo. Não foi uma coisa assim, inédita, pois até o disco já estar disponível para compra na iTunes Store, praticamente muita coisa vazou ou mesmo foi divulgada pela gravadora, o que fez com que nossa ansiedade fosse quase que nula. Porém, mesmo assim, senti um pequeno êxtase enquanto os arquivos eram carregados para a minha biblioteca, naquela manhã do do dia 11 de novembro!
Falando sobre o disco, The Endless River é o décimo quinto e último da banda e seu lançamento, mais uma vez, foi alardeado por inúmeros rumores, suposições e nostalgias, principalmente para os fãs do gênero e do grupo formado por Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright. O álbum é uma homenagem a Wright falecido em 2008! É um trabalho baseado nos materais - sobras é uma palavra muito depreciativa – de estúdio do disco The Division Bell. Digamos que Gilmour pegou tudo, balançou, sacudiu, tirou a poeira, colocou um ou dois riffs e gravou. Mesmo sendo algo meio que pronto, o trabalho final ficou excelente. Sim, alguns comentaram: “Que falta faz Roger Waters!” e isso é uma verdade, mas não se pode tirar o mérito e a genialidade de Gilmour em nos oferecer música para se ouvir com a cabeça e não com as “oreia”!
O disco é dividido em quatro lados. “Things Left Unsaid” inicia a viagem e a missão de preparar os passageiros para o que estar por vi. Como esse disco é uma pseudo continuação de The Division Bell, então analogias e comparações estarão sempre presentes. Portanto eu crio um link entre Things Left Unsaid e Cluster One do The Division. Cluster One é bem instrumental e preza mais pela leveza que por dizer as coisas que não foram ditas. Então entra a magistral “It’s What We Do”, que lembra muito “Shine On You Crazy Diamond”. Ela bem que poderia ser uma das suas partes. Em “Ebb and Flow” você percebe claramente o vínculo com “Take It Back”. O segundo lado é o que trás as músicas mais empolgantes do disco. Em “Sum”, Nick Mason mostra que ainda sabe tocar bateria, igual fez em Live At Pompeii. E continua mandando ver em “Skins”, que lembra e muito a faixa “Up The Khyber” do disco More. A curta “Unsung” mantém um clima e nos entrega completamente rendidos para a bela “Ansina”, que fecha com chave de ouro o lado 2. É uma melodia de piano de Wright com um belo solo de sax e os riffs de Gilmour fazendo toda a diferença.  Por alguma razão, acredito que ela bem que poderia ser um epílogo para a maravilhosa “Coming Back To Life”. Como disse um crítico, seria algo como “ei, estou voltando à vida e olha o que mais eu tenho para te contar”! A parte 3 seria a mais fria de todas. Seria o falar de não falar. “The Lost Art Of Conversation” é fria. Uma música que poderia ser bem Roger Waters. Se não lembrarmos que o homenageado que nos entrega uma doce melodia, o que sobra são apenas restos mesmo. É pouco em termos musicais, mas é muito para aqueles que fazem a blasfêmia de chamar The Endless River de “disco de elevador”! Uma leve parada com "On Noodle Street", com boa participação de Guy Pratt, é o que temos antes de chegar a "Night Light" outra música muito fraca, cujo maior mérito é nos entregar às maravilhosas "Allons-Y" (Vamos lá, em francês). Separadas pela intrigante "Autumn '68" (seria ela um contraponto a "Summer '68", do "Atom Heart Mother")? As três juntas não chegam a cinco minutos. Poderiam durar três vezes mais. A parte 3 termina com "Talkin' Hawkin" que, mesmo com as exibições do talento único de Gilmour e da boa introdução, deixa um pouco a desejar. Finalmente chegamos a quarta e última parte e temos uma impressão que o álbum deixou um pouco a desejar. Mesmo sabendo que o mesmo é uma colcha de retalhos, ansiávamos por algo a lá Pink Floyd mesmo, que fizesse a gente viajar em todos os sentidos. Mas acredito que a ideia de Gilmour como mentor do trabalho não era essa e sim resgatar os últimos trabalhos de Rick.
Alguns críticos – e também o autor destas mal escritas linhas -  acreditam que este não vai ser o último disco, pois “The Endless River”  é o penúltimo verso da música High Hopes, última faixa de The Division Bell. Então, pensando bem,  ainda existe uma possibilidade – sem “altas esperanças” – de ainda sair um trabalho “Forever e Ever”!
The Endless River pode e não deve ser usado como referência ao Pink Floyd, mas certamente terá o seu devido lugar na esfera do rock e da boa música.

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terça-feira, 21 de outubro de 2014