domingo, 22 de maio de 2005

Celular - Vivendo Off-Line

Hoje faz 60 dias que estou sem meu celular e quer saber? Ainda continuo vivo (nenhuma analogia a operadora) e muito bem, obrigado! Sempre imaginei que não conseguiria mais viver sem um pendurado no cinto. As vezes saia de casa e pensava:
- "Como vão me achar"?
- "E se eu precisar localizar algum amigo"?
Mas os dias foram passando e mesmo estando off-line, as pessoas ainda assim conseguiam me encontrar e não deixei de perder nenhum compromisso ou mesmo negócio! Porém, essa semana agora que está chegando, meus dias "livres e felizes" estarão acabando, pois além de voltar a ter um pendurado na cintura, agora estarei sempre on-line no Messenger. Mesmo quando estiver em trânsito, meu novo aparelho permitirá estar sempre conectado! Agora, além de poder ser "atentado" em qualque lugar, também serei pertubado virtualmente.
Lendo as bens traçadas linhas de Vinicius Torres Freire, colunista da Folha de São Paulo, pensei com meus botões: "É isso que sempre quis dizer sobre celulares... Sem tirar nem por"!

"Neste ano, haverá tantos celulares no país como metade dos brasileiros. Há 5,5 milhões de carros em São Paulo e 8,5 milhões de celulares. Orelhas, cérebro e o tempo das pessoas estão congestionados. Por que as pessoas gostam tanto desse telefone? O celular é um brinquedão. Já podemos carregar um microcomputador de mão com radiola eletrônica (MP3, iPod), máquina de fotos, joguinhos, miniTV, celular com programa de controle e espionagem dos filhos e toda a tralha nova que vierem a inventar. (...) Como os sociólogos diziam antigamente, o celular talvez seja quase um fato social total. Talvez seja tão popular por ser um elemento de status. O seu tira foto? O meu filma, dança quando toca e massageia a orelha. (...) Mas o que a maquineta parece satisfazer mesmo é a atualíssima ansiedade narcísica e infantil de ser atendido e ouvido, sem mais, a qualquer hora. Atenua a solidão, a miséria da subjetividade e das mentes que não sabem o que fazer em silêncio reflexivo, oferecendo fofoca, fetiches e relíquias vulgares em forma de fotos inúteis, música ruim e/ou mal ouvida. Sozinha, a maioria das pessoas parece não se suportar".

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