segunda-feira, 29 de agosto de 2011

É Tempo De… – Parte V - Atom Heart Mother (1970)



“Nós dissemos adeus antes de dizermos olá
Dificilmente eu gostaria de você
Eu não me preocuparia afinal”

Naqueles dias iniciais dos anos 70, o mundo ainda vivia o efeito devastador da transformação social ocorrida no final da década passada. Pairava a expectativa de sobre como tudo reagiria dali por diante após tão radicais mudanças. Isso também estava ocorrendo no cenário musical. O fim da era Beatles (antes que algum fã me dê um tiro - pelo menos da banda em si) fazia com que a atenção não só do público, como da crítica e, sobretudo, das gravadoras, se dispersasse em direção a outros artistas que apareciam com destaque no fim da década passada. Dentre as novidades, uma delas se destacava como a viga mestra de um movimento que ganhava corpo a cada dia, o psicodelismo. Seu nome? Pink Floyd.
Os dias atravessados por Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, porém, não eram nada comparados aos passados acerca de três anos antes. Originária de um sucesso de público e crítica devido ao conceito criado sobretudo por Syd Barrett, era visível a crise de criatividade e o abalo emocional vividos após a saída de seu mentor original. Após a estréia marcante com o aclamado “The Piper at the Gates of Dawn”, e o conseqüente estrelato, veio o contestado “A Saucerful of Secrets”, última obra de Barrett com o grupo. Sucederam, já com Gilmour nas guitarras, várias participações em trilhas sonoras em filmes, com destaque para “More” e “Zabriskie Point” e o conceitual “Ummagumma”, o álbum duplo que reunia, em um disco, quatro faixas ao vivo e, no outro, faixas solo de cada um dos integrantes. Quando os anos 70 chegaram, contudo, um novo álbum precisava ser lançado.
Então, trancafiados nos estúdios da EMI, em Abbey Road, o Pink Floyd deu início às gravações daquele que seria um dos discos mais importantes da história do rock mundial. “Atom Heart Mother”, a música, se apresentou como uma grande peça teatral, subdividida em seis atos. O resultado foi grandioso. A gravação contou com estrutura digna de uma orquestra sinfônica, estando presentes um cello solo, uma dezena de instrumentos de sopro – com destaque para o solo de trompas francesas – e um coral de 20 pessoas, sob a regência do maestro John Alldis. Foi um foco de luz à frente do Pink Floyd, mostrando as extensões e os caminhos que a banda iria desenvolver e trilhar nos próximos trabalhos. O álbum trazia as seguintes faixas:
Lado 1
1. "Atom Heart Mother" (Mason, Gilmour, Waters, Wright, Geeser) 23:44
a. "Father's Shout"
b. "Breast Milky"
c. "Mother Fore"
d. "Funky Dung"
e. "Mind Your Throats, Please"
f. "Remergence"
Lado 2
1. "If" (Waters) 4:31
2. "Summer '68" (Wright) 5:29
3. "Fat Old Sun" (Gilmour) 5:24
4. "Alan's Psychedelic Breakfast" (Waters, Mason, Gilmour, Wright)
a. "Rise and Shine"
b. "Sunny Side Up"
c. "Morning Glory"
Atom Heart Mother é um disco que dividi os fãs da banda entre os que o amam e os que o odeiam. Foi um trabalho que insistiu na ideia de que todos compusessem as faixas, embora agora não tocassem sozinhos, como em Ummagumma, mas em conjunto. O disco trazia junto várias peculiaridades: primeiro o título, tirado de última hora de uma notícia sobre uma mulher com um marca-passo no coração que dera luz. Além da música, o disco também tem uma das capas mais enigmáticas da história da música. O bovino mais famoso do rock mundial aparece tanto no vinil, quanto no CD. A rês Lullubelle III, uma cruza das raças holandesa e normanda (ao contrário de suas colegas da contracapa, puramente holandesas), foi fotografada em uma propriedade rural do interior da Inglaterra. A gravadora pagou ao dono da propriedade cerca de mil libras pelos “direitos de imagem” do animal. A propriedade virou ponto turístico, e Lullubelle, uma celebridade.
A primeira (e única) música do Lado A tem uma duração aproximada de 24 minutos. O início é impactante com “Father’s Shout”, onde é dada uma pequena demonstração do virtuosismo do grupo, tendo ao fundo a desafinação dos instrumentos de sopro simulando vozes humanas. Após, vem “Breast Milky”, marcada pela impecável interpretação do coral, sustentada pela melodia marcante dos teclados de Wright. “Mother Fore” retoma a instrumentalidade da faixa, com uma estrutura bluesística, alternada com vocais furiosos. “Funky Dung” apresenta a experimentação das faixas em estúdio de “Ummagumma”, onde uma mescla de ruídio estereofônicos criam um cenário de suspense, originando uma estrutura que viria a ser retomada em “Echoes” (do álbum Meddle) e “On The Run” (de Dark Side of The Moon). “Mind Your Throat Please” retoma a musicalidade da canção. O grand finale vem com “Remergence”, que repete as estruturas da primeira parte, em um final apoteótico. A faixa era uma experiência auditiva fantástica, visto que o álbum foi um dos primeiro a ser gravados no sistema quadrofônico estéreo, que subdividia o som de cada instrumento em um canal diferente para o ouvinte. Algo complexamente trabalhado que tomou o lado A inteiro do álbum, numa experiência inédita no Rock mundial. Quando Roger Waters ouviu David Gilmour tocando as partes de guitarra para essa música, ele disse que soava parecido com a música tema para o filme Sete Homens e um Destino. Uma curiosidade interessante foi que o cineasta Stanley Kubrick quis usar essa faixa no filme Laranja Mecânica, mas a banda recusou permissão.
O lado B do álbum começa com a cativante “If”, de autoria de Waters. À primeira vista parece uma cantiga de ninar, porém, quando examinada a letra se vê uma forte ode à insanidade humana. A temática seria a marca registrada de Waters para o resto da carreira. O violão dedilhado cortado pela guitarra de Gilmour é um clássico. A letra, marcada por suposições, (vide os versos “If i were a swan, I’d be gone / If I were a train, I’d be late / If I go insane / Please don’t put yoru wires in my brain”) foi feita, sem dúvida, em homenagem a Syd Barrett e seu momento difícil. Segue-se a esta “Summer 68”, uma das melhores músicas do grupo. De autoria de Wright, trata-se de uma canção singela sobre um relacionamento efêmero seu com uma groupie no verão de 1968. A música segue o seu curso normal até que, de repente, é cortada pela clássica intervenção de Gilmour gritando “How do you feel?”, como se questionando o ouvinte do que sente no momento. Então se percebe presença de metais em estilo barroco, ilustrando o clima da música. Após a retomada da normalidade, a segunda intervenção é feita por toda a orquestra presente na gravação de “Atom Heart Mother”, numa mistura única de sons vista na história da música contemporânea.
A faixa de Gilmour, “Fat Old Sun”, traz a mesma estrutura melodiosa anteriormente apresentada pelo grupo na faixa “Green Is The Colour”, da trilha do filme “More”. Trata-se de uma balada, onde a melhor parte, sem dúvida, é o solo de guitarras no fim da faixa. “Fat Old Sun” ficou famosa por ser a música de trabalho do álbum e pela interpretação forte do grupo em seus shows ao vivo, em quase nada lembrando a versão calma gravada em estúdio. O disco acaba com “Alan Psichedelic Breakfast”, outra faixa conceitual. Com duração de cerca de 13 minutos e subdividida em três atos (“Rise and Shine”, “Sunny Side Up” e “Morning Glory”), a faixa consiste basicamente em experiências estereofônicas que buscam retratar sonoramente o café da manhã de Alan Stiles, um dos roadies do grupo. Na faixa, é possível ouvir o bacon fritando e alguém fazendo sua higiene pessoal. A música só foi interpretada uma vez ao vivo, tendo a banda, no palco, fritado o bacon e tomado café em frente a um incrédulo público.
O interessante do álbum é que, mais uma vez, o disco divide os membros. Roger Waters disse que esse disco deveria ser jogado no lixo e ninguém nunca mais deveria ouvi-lo. E que mesmo se hoje alguém lhe desse 1 milhão de libras para ele tocar o disco, ele não o faria. “Era um álbum muito pomposo e também não era sobre nada”, afirma. David Gilmour também compartilha a mesma opinião de Waters, tanto para Ummagumma (o disco anterior) quanto para Atom Heart Mother. Na sua opinião, “o disco é horrível. A ideia até que era muito boa, mas o disco em si foi terrível”. Segundo ele, foi o momento mais baixo da banda. Já Nick Mason o considera válido para aquele período, especialmente porque aprenderam muito sobre técnicas de gravação. No palco, a faixa favorita da banda era "Fat Old Sun", onde Gilmour começava a se firmar como um dos maiores guitarristas da década. O disco acabaria chegando ao topo da parada britânica, embora ficasse apenas na 55ª posição, na América. Seria uma nova era para a banda, que alcançaria o ápice três anos depois.
Atom Heart Mother é um álbum até hoje incompreendido por grande parte do público. Inegáveis são, contudo, a sua qualidade de vanguarda e a influência que causou na música, não só de um modo geral como também no próprio grupo. A idéia de disco conceitual foi a partir daí desenvolvida, influenciando vários outros grupos musicais. As inovações sonoras do álbum foram mais tarde desenvolvidas pelo próprio grupo em praticamente todas as outras obras da banda, com ou sem Waters.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

É Tempo De… – Parte IV – Ummagumma (1969)



“ E um rio verde está escorregando invisível sob as árvores
Rindo enquanto passa pelo fim do verão
Indo para o mar ”
Imagine um louco preso em um quarto com nada além de um monte de instrumentos musicais! É… O resultado seria algo bem louco ou insano. Bom, o Pink Floyd tinha quatro loucos. E o resultado? Uma viagem de ácido por uma selva espacial, tendo a banda como guia. E este passeio o levará entre a fronteira da sanidade e da loucura. E também te levará por lugares e sons nunca antes vistos e ouvidos naqueles dias finais dos anos 60. E este passeio tem um nome… E se chama Ummagumma! Uma experiência como nenhuma outra. É o Pink Floyd no seu mais ambicioso e experimental trabalho, pelo menos até aquele momento!
Ummagumma foi um álbum duplo (parte ao vivo e parte em estúdio) gravado em 1969. O grupo estava trabalhando nesse álbum quando deu um tempo para gravar More, trilha sonora do filme homônimo. Logo após o término deste “trabalho extra”, o Floyd se tranca novamente em estúdio para gravar um novo disco autoral. Para muitos, Ummagumma - uma gíria de Cambridge para designar relação sexual - não pode ser considerado um disco do grupo, já que cada membro escreveu um tema próprio no lado "de estúdio", por sugestão do tecladista Richard Wright. "Esse não é um disco do grupo. O lado ao vivo soa, hoje em dia, incrivelmente antiquado, embora o show do Floyd no Mothers, em Birmigham tenha sido considerado um grande evento. Estávamos procurando uma maneira de montar um novo disco e a EMI era muito mesquinha nessa época e não tínhamos muitos recursos", relembra Nick Mason. O mais apavorado de todos nas gravações era Gilmour. Ele confessou que ficou tenso com a ideia, pois jamais havia escrito uma canção e não tinha ideia do que usar nas letras. "Liguei para Roger e pedi para ele me ajudar. Ele disse 'não' e desligou.”
Ummagumma é um disco onde a influência de Syd Barrett começa a desvanecer-se em favor das visões um pouco menos lunáticas e pastorais de Roger Waters. Mostrou a capacidade colossal do grupo, que os levaria a um patamar muito mais alto nos próximos trabalhos. Um disco com uma atmosfera melancólica e ligeiramente espacial, que começa a definir definitivamente o Pink Floyd. Ummagumma pode ser considerado o mais difícil álbum de se ouvir, mesmo para os fãs mais ávidos da banda, embora o grupo na época estivesse “apenas” experimentando diferentes abordagens musicais para as composições.
Os trabalhos solos são bastantes diferentes um dos outros. A parte de Gilmour, por exemplo, soa mais para um rock simples e muito bom, embora ele tenha dito depois que não gostou muito do trabalho final. A parte de Nick Mason também é excelente, mostrando o quão criativo baterista ele foi (e ainda é). Para aqueles que ainda não ouviram, a parte de Mason não se limita a solos de bateria e sim a “colagens” de sons envolvendo tambores. As últimas partes também são puramente “colagens”, algo que se poderia considerar como melodia, harmonia, etc. Ainda assim, é interessante ouvir!
A parte ao vivo foi gravada nos concertos em The Mother's Club in Birmingham, no dia 27 de abril de 1969 e no Manchester College of Commerce, no dia 2 de maio e é toda excepcional. Cada canção soa muito agradável de se ouvir. Curiosamente, nos créditos, constam que foram gravados no mês de junho, o que é incorreto. Ummagumma seria o primeiro lançamento oficial do Floyd pelo selo Harvest, ligada à EMI e foi o primeiro álbum do grupo a ficar entre os 100 primeiros na América, alcançando a 74ª posição. Na Inglaterra, alcançou o quinto posto. O disco teve um pequeno problema com a canção "Interstellar Overdrive". Ela seria usada no lado ao vivo, mas jamais entrou, por dois possíveis motivos: um seria referente à direitos autorais - havia sido escrita por Syd Barrett, o que é estranho, já que "Astronomy Domine", também composta por ele, estava no álbum. O outro motivo - e mais possível - é que ela teve problemas na fidelidade da gravação e acabou sendo dada como brinde a alguns amigos do grupo.
O LP trazia uma capa muito bem bolada, mantendo a filosofia de capas psicodélicas. São quatro fotos, uma dentro da outra, trazendo, em cada uma delas, um integrante sentado em um banco e os demais faziam poses diferentes, ao fundo. Biggin Hill, em Kent, foi escolhida para tirar a foto da contra-capa, onde aparece uma perua, equipamentos e dois roadies - Pete Watts e Alan Stiles - mostrando todo o arsenal do grupo. Alan Stiles seria homenageado na faixa "Alan's Psychedelic Breakfast", no disco Atom Heart Mother.
O LP trazia as seguintes faixas:
Disco 1 - Ao vivo
Lado 1
1. "Astronomy Domine" (Syd Barrett) – 8:29
2. "Careful with That Axe, Eugene" (Roger Waters, Rick Wright, David Gilmour, Nick Mason) – 8:50
Lado 2
1. "Set the Controls for the Heart of the Sun" (Waters) – 9:15
2. "A Saucerful of Secrets" (Gilmour/Waters/Mason/Wright) – 12:48
"Something Else"
"Syncopated Pandemonium"
"Storm Signal"
"Celestial Voices"
Disco 2 - Estúdio
Lado 1
1. "Sysyphus" (Wright) – 12:59 (on LP); 13:26 (on CD)
Part 1 – 4:29 (on LP); 1:08 (on CD)
Part 2 – 1:45 (on LP); 3:30 (on CD)
Part 3 – 3:07 (on LP); 1:49 (on CD)
Part 4 – 3:38 (on LP); 6:59 (on CD)
2. "Grantchester Meadows" (Waters) – 7:26
3. "Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict" (Waters) – 4:59
Lado 2
1. "The Narrow Way" (Gilmour) – 12:17
Part 1 – 3:27
Part 2 – 2:53
Part 3 – 5:57
2. "The Grand Vizier's Garden Party" (Mason) – 8:44
Part 1: "Entrance" – 1:00
Part 2: "Entertainment" – 7:06
Part 3: "Exit" – 0:38
Enquanto o lado "ao vivo" foi produzido pelo grupo, Norman Smith ficou encarregado do de estúdio. O disco gerou elogios e críticas entre os membros. Gilmour o considera mal gravado e disse que pensaram em refazê-lo. Richard Wright concorda com o guitarrista, mas salientou que a experiência o ensinou muito em termos de composição e de estrutura. Ironicamente, demoraria 19 anos para o Floyd lançar um novo disco ao vivo, já sem Roger Waters, para se "redimirem", fato que aconteceu com Delicate Sound of Thunder. O terceiro disco ao vivo da banda seria P•U•L•S•E, de 1995.
Comentando um pouco mais a parte “de estúdio”, ela começa magistralmente, com batidas simbólicas e sons viajantes e melancólicos. E depois o piano entra, e é absolutamente incrível, embora, infelizmente, a felicidade não dure tanto tempo. Richard Wright começa a bater nas teclas como se não houvesse amanhã. Todo ritmo desaparece e a canção perde todo o controle. Acordes sustentados e “enlameados” estão rodando uns sobre os outros e notas aleatórias são jogadas sem qualquer ordem. É um completo caos. E isso não é nem a metade da música. As duas primeiras partes do Sysphus preveêm o resto da música. Esse começo é apenas um breve momento de beleza antes de descer para a loucura. Sysphus continua na parte 3 com uma percussão em todos os lugares e animais começam uma gritaria ameaçadora. É perturbador e desconfortável ouvir, mas,
mas, como em um filme de terror, suas mãos estão cobrindo seus olhos, mas ainda assim o deixam espreitar a sala, porque a sua curiosidade o faz continuar assistindo. Em seguida, a parte
quatro aparece, e lhe dá três minutos de ambientação e, em seguida, ela pára e um acorde de piano horrível continua tocando e ficando cada vez mais alto e você imaginando que a sua cabeça vai explodir, mas não o faz… E as notas cada vez mais altas junto com os acordes que apenas permanecem sustentados enquanto o teclado caótico é jogado. E a canção termina com o mesmo início majestoso. Lembra do louco preso no quarto com instrumentos? Pois é, eu te avisei!
A parte de David Gilmour mostra claramente a direção que o Pink Floyd estava tomando. Se Roger Waters viajava ao extremo no psicodelismo, Gilmour nos trazia de volta a realidade, colocando nossos pés no chão, para que saibamos que tudo aquilo que passou foi apenas uma viagem. A primeira música da sua parte mostra um violão tocando uma melodia acompanhado de efeitos de eco em segundo plano. Já a segunda tem uma guitarra funk profunda tocando enquanto efeitos espaciais ao fundo criam uma paisagem espacial e escura. Esta paisagem espacial vai desaparendo dando vez a parte três que começa lindamente. Um coro forte começa e é a melodia mais bonita do disco. Gilmour começa a cantar acompanhado de um piano e a canção dos dá uma sensação de sonho escuro e ao mesmo tempo é relaxante e calmante, o que é raro neste disco. Os mesmos efeitos de ecos espaciais entram e complementam a música perfeitamente. O piano e a guitarra tocam juntos, até os sons desaparecerem por completo. É uma canção de sonho, mas também de medo e assombração.
Talvez a faixa mais interessante seja a de Roger Waters, "Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict", que traz uma mensagem escondida entre os minutos 4:32 e 4:33. Se você colocar o vinil em meia velocidade ouvirá David dizendo "This is pretty avant garde, isn't it?". Não tenho ideia de como você pode ouvir esta mensagem no seu ipod ou mesmo naquele velho MP3 no seu computador.
Dessa maneira, o Floyd lançava um disco "individual" feito pelo grupo. "Éramos realmente individualistas", confessou Nick Mason, que levou sua esposa Lindy para tocar flauta em "The Grand Vizier's Garden Party", de sua autoria. O próximo disco, Atom Heart Mother, o famoso "disco da vaca", seria o primeiro a ter o "verdadeiro som" do Pink Floyd, ainda que Gilmour o odeie até hoje.
Definitivamente, Ummagumma não é o trabalho mais acessível e audível do Pink Floyd. Somente três, das cinco músicas do álbum de estúdio possue ritmo e não tem ruídos por todos os lados. Embora ambos os álbuns sejam bons, nenhum deles consegue-se ouvir casualmente, principalmente o álbum de estúdio. É um disco recomendado para os fãs de Floyd e também para quem gosta de música experimental. É um album único e marca o início do Pink Floyd para a sua grandeza.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É Tempo De… – Parte III – More (1969)


 “A borboleta com asas quebradas
está caída ao teu lado
Todos os corvos estão perto
não há onde você possa se esconder ”
Se você não possui o disco Echoes: The Best Of, é provável que você nunca tenha ouvido falar de More! Por quê? Porque nem sequer o próprio Pink Floyd considerava este disco um verdadeiro álbum do Pink Floyd. E você também notará isso ao ouví-lo. De fato, More não se encaixa no caminho musical que o grupo estava trilhando no momento. Menos de 1 ano após a saída de Barrett (dando lugar a David Gilmour) e da estréia do psicodélico clássico Piper At Gates Of Dawn, o novo Pink Floyd estava lutando para encontrar uma nova maneira de seguir em frente. O álbum foi feito sob encomenda, a pedido do diretor francês Barbet Schroeder, para compor a trilha sonora do filme homônimo. Foi o primeiro trabalho de Shroeder como diretor. Pouco é conhecido sobre a gravação do álbum, porém, segundo Roger Waters, a trilha sonora foi um tipo de “favor pessoal”. As canções foram gravadas em apenas uma semana durante o mês de março de 1969, na mesma época em que um outro trablho estava sendo produzido (a banda interrompeu a gravação deste disco por alguns dias para trabalhar no álbum More). O disco revela uma banda mais bucólica, contendo momentos que flertam com o Heavy Metal e com o Blues. Aqui Roger Waters já começa a demonstrar sua capacidade como letrista competente. Vale ressaltar que More foi o primeiro álbum totalmente produzido pelo Pink Floyd.
O filme conta a história de Stefan, uma estudante alemã, que vai para Ibiza e que se envolve com drogas, especialmente a heroína. O filme não faz muito sucesso e, segundo David Gilmour, o diretor Schroeder, que mesmo conhecendo bem a língua inglesa, fez um roteiro sem força, usando gírias fora de contexto e de forma errônea. O filme fez sua estréia no Festival Internacional de Cannes, em 13 de maio de 1969, e a trilha-sonora foi lançada em junho. Não se sabe o motivo, mas duas músicas que aparecem no filme e composta e pela banda não constam no disco: "Seabird" e "Hollywood".
O LP trazia as seguintes faixas:
Lado A
1. "Cirrus Minor" (Roger Waters) – 5:18
2. "The Nile Song" (Waters) – 3:26
3. "Crying Song" (Waters) – 3:33
4. "Up the Khyber" (Nick Mason, Richard Wright) – 2:12
5. "Green Is the Colour" (Waters) – 2:58
6. "Cymbaline" (Waters) – 4:50
7. "Party Sequence" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 1:07
Lado B
1. "Main Theme" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 5:28
2. "Ibiza Bar" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 3:19
3. "More Blues" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 2:12
4. "Quicksilver" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 7:13
5. "A Spanish Piece" (Gilmour) – 1:05
6. "Dramatic Theme" (Gilmour, Mason, Waters, Wright) – 2:15
Cirrus Minor é uma música com um clima onírico. Inicia-se com cantos de pássaros que se prolongam durante o primeiro minuto. Os primeiros acordes de violão começam a ecoar e a voz agradável de David Gilmour emite os primeiros versos. No último verso a voz parece se distanciar para dar lugar ao órgão de Richard Wright que constrói um ambiente celestial. Os pássaros voltam a cantar no final.
The Nile Song é a canção que fala sobre o dia em que Stefan conheceu Estelle. É uma composição bem pesada e com uma sonoridade um pouco suja. A voz de David Gilmour está irreconhecível.
Crying Song nos passa uma sensação de angústia, principalmente o triste solo de guitarra no final. É uma canção essencialmente acústica, acompanhada por teclado e contra-baixo.
Up The Khyber é basicamente um solo de bateria de Nick Mason com algumas passagens de teclado de Rick Wright. Essa música foi criada para compor uma cena de sexo anal que foi cortada do filme. “Khyber” é uma gíria usada no subúrbio londrino e significa traseiro.
Curiosidade: “Khyber” também é uma passagem que liga o Afeganistão ao Paquistão. Nota-se que o Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo (matéria-prima da heroína) e o filme conta a história de viciados em heroína.
Green Is The Colour é uma belíssima música acústica, contando com a participação da mulher de Nick Manson na época, Lindy Mason, nas passagens de flauta. Com quase três minutos de duração, é considerada uma das melhores música do disco. A voz de David Gilmour é um dos destaques, assim como o piano de Wright ao final.
Outro grande destaque do disco é Cymbaline, cantada por David Gilmour. No filme essa canção é cantada por Roger Waters e o verso “Will the tightrope reach the end? Will the final couplet rhyme?” (coincidentemente ou propositalmente o último verso não rima) é substituído por “Standing by with a book in his hand/It’s an easy word to rhyme”. A atmosfera criada pela música é depressiva, como já era de se esperar em um filme com um tema pesado.
Party Sequence é uma música percussiva pontuada em alguns trechos por flauta. Nada de atrativo.
Main Theme é baseada praticamente nos teclados de Rick Wright. Em alguns momentos uma guitarra com slide se incorpora à música. Somando tudo às batidas simples de Mason, tem-se uma canção agradável e com um clima oriental.
Ibiza Bar é uma espécie de irmã gêmea bivitelina da canção The Nile Song, porém contém uma sonoridade menos suja que esta.
More Blues, como o próprio nome demonstra, é um blues sem grandes atrativos. Mesmo assim é outra música agradável.
Quicksilver é praticamente composta por teclados e cria um ambiente fúnebre, de suspense.
A Spanish Piece é uma canção curta, tocada à moda espanhola (música flamenca). Há algumas frases inaudíveis. Na versão para o filme, um bandolim é tocado em A Spanish Piece (a única vez que a banda utilizou o instrumento).
E finalmente Dramatic Theme encerra o álbum. Contra-baixo em destaque, com solos de guitarra e os pratos da bateria pontuando toda a canção.
Há uma música que foi deixada de fora do disco: Seabirds. Não se sabe por que ela foi omitida do álbum, pois trata-se de uma canção com uma bela melodia.
More marca o início da procura da banda por uma identidade própria e o início do domínio criativo de Roger Waters. O Pink Floyd ainda gravaria mais duas trilhas sonoras: algumas músicas para o filme Zabriskie Point de Michelangelo Antonioni e a trilha do filme La Valeé do próprio Barbet Schroeder intitulada Obscured By Clouds.
Pesquisando sobre o álbum, achei um depoimento de um fã que ouviu esse disco meio que doidão (acho eu), a perceber pelas viagens de interpretação de cada música. Não pude deixar de publicar aqui em Noites! :)
Recomendo colocar o cd e ouvir a música enquanto lê e imagina as palavras de cada definição...
1 - Cirrus Minor
Passarinhos voam pelos nossos cérebros conduzindo para mais uma viajem psicodélica quando começam as vozes acompanhadas dos teclados celestiais de Ricky Wright. Olho a volta e vejo alguma coisa estranha, muito diferente do convencional, a princípio o eco mixado dessa voz atrai meu corpo para baixo como se fossem trombetas que anunciavam a chegada de algum novo som não identificado.
2 - The Nile Song
Ah acordei repentinamente com uma explosão sonora que emana-se do horizonte marinho. Ondas realmente altas quebram quando rebatem nas paredes e nos tímpanos. A voz agora apresenta-se gritada e sofrida, um pouco diferente do convencional dessa voz que eu já ouvi em outros lugares e ocasiões. Os ritmos são constantes e barulhentos, harmonizam-se perfeitamente com a música, sempre criando diferentes ruídos com as mesmas sensações.
3 - Crying song
Sinto meu corpo relaxar novamente, ouço vozes suaves em meus ouvidos que dizem sorrir. A percussão antes barulhenta torna-se também suave harmonizando a música.
4 - Up the Khyber
Tudo está girando e eu ouço aquela mesma percussão agora bastante solada, lembrando um bom e velho blues. Sons misteriosos percorrem o estéreo dando uma sensação de movimento, eles vem pausadamente e inconstantemente, seguidos de outros sons estranhos que vem e vão de pouco em pouco. As vozes se calam...
5 - Green is the colour
Sumiu o barulho e eu apenas relaxo com um som repetitivo e um canto capela que acompanha, belos traços distribuídos em um curto tempo.
6 - Cymbaline
O barco balança para os dois lados e o profeta anuncia suas palavras de cima da proa. Todos ouvem atenciosamente enquanto apenas um promove-se um pequeno som também com seu tom calmo e ditador... Logo a emoção toma conta de nosso narrador que é acompanhado pelos outros sons...
7 - Party Sequence
O narrador silencia suas palavras e seu acompanhador instrumental começa a narrar a batalha que deve continuar enquanto todos dançam incessantemente ao redor daqueles que perdem seu sangue.
8 - Main theme
Então um de seus competidores encerra sua fase terrena. A alma sobe com uma batida de percussão que preenche a todo o ambiente dando uma leve sensação de liberdade. No fundo passam desapercebidos alguns flaches diferentes que se repetem, logo, ouço alguns pequenos movimentos de cordas que vem e vão junto com a música.
9 - Ibiza Bar
Estranho, acho que já estive por aqui antes, mas algo mudou... A voz já não diz as mesmas palavras e a intensidade de sensações não é tão forte. Esse lugar é quase igual àquele onde fui derrubado pelas ondas que me levavam rapidamente e furiosamente para um lugar indefinido. Bom ainda assim continua mantendo uma certa originalidade e nem tudo é igual, mas preciso sair daqui...
10 - More Blues
Cansei, e assim segue o ambiente desgastado enquanto os músicos do bar aquecem a apresentação... É diferente afinal só ouço as mesmas cordas e leve percussão de antes.
11 - Quicksilver
Comandante, abram as portas da nave, precisamos partir... Só um minuto estou arrumando algumas coisas e talvez leve tempo, pronto...
Após dois minutos...
Senhor, vejo algumas coisas estranhas lá fora, vamos mais devagar afinal parecem se mover e produzir um som estranho, como teclados amplificados...
12 - A spanish peice
Ha, me sinto um pouco agitado, preciso tomar um trago e aspirar a alguma coisa... Estranho esse lugar me lembra a Espanha e algumas pessoas dançando aquela estranha dança.
13 - Dramatic Theme
Não tenho mais tempo, quem sabe eu possa correr nesses corredores. A percussão de antes agora acompanha meus passos e olhares e eu sinto que outros sons me perseguem como cordas no fundo do corredor, seguindo meus passos de longe, só observando... Sinto que talvez ela possa me pegar, mas não tão cedo...
Pronto agora ela já não me encontra mais e o silêncio vai chegando sucedido de ecos da corda despedaçada.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

É Tempo De…– Parte II – A Saucerful Of Secrets (1968)




Conhecer o amor é conhecer a sombra
O amor é a sombra que amadurece o vinho
Ajuste os controles para o coração do sol”

A Saucerful Of Secrets é o segundo álbum de estúdio do Pink Floyd e é o único a reunir todos os integrantes que passaram pela banda: Syd Barrett (vocal/guitarra), David Gilmour(guitarra/vocal), Roger Waters (baixo/vocal), Nick Mason (bateria) e Richard Wright (teclado/vocal); e marca o final da era Barrett. Essa época marca também o impasse e as dúvidas sobre os rumos do Pink Floyd, uma vez que o genial compositor e membro fundador, Syd Barrett estava com sua saúde mental deteriorada e muito precária (em parte devido ao uso desenfreado de LSD), e já demonstrava sinais evidentes de sérios transtornos.
A ideia inicial dos membros do Floyd foi chamar David Gilmour (amigo de infância de Barrett e Roger Waters em Cambridge) para substituir Syd Barrett em apresentações ao vivo, e manter Syd na banda, para composições e criações no estúdio. Mas, infelizmente, não deu certo! Syd Barrett já não tocava mais guitarra, ignorava os compromissos, e não participava mais da banda. E ficou a pergunta: O que seria do Floyd sem o seu gênio criativo? O processo de criação ficou distribuído entre todos os integrantes, com Roger Waters assumindo a liderança do Pink Floyd. Se o primeiro álbum “Piper At The Gates Of Dawn” foi marcado por muitas experimentações, em “A Saucerful Of Secrets” as experimentações foram elevadas a níveis muito maiores, e cada integrante do grupo pode contribuir de maneira mais efetiva, expandindo as possibilidades sonoras do Pink Floyd. A música do Floyd quebrava todas as fronteiras sonoras. Embora já não participasse ativamente da banda, esse álbum contou com a participação oficial de Syd Barrett, que saiu antes do lançamento, ou melhor, os outros integrantes “saíram” com ele. O álbum contava com as influências de Barrett, o que é perfeitamente compreensível (indiscutível sua importância como compositor/músico e membro fundador), uma vez que essas influências sempre serão encontradas ao longo das obras do Pink Floyd; mas “A Saucerful Of Secrets” mostra com nitidez a intenção dos outros Floyds de buscarem novos rumos para a sonoridade da banda, e saírem da “Sydependência”. Vale lembrar que, além de amigo, David Gilmour foi professor de guitarra de Syd Barrett. Evidente que essa amizade com Barrett e Waters, facilitou muito seu entrosamento com o Pink Floyd. Gilmour já tinha forte ligação com a banda, além de ser um músico de muito talento, todos estes fatores contribuíram para se encaixar perfeitamente na banda. O disco, que foi lançado em junho de 1968, é a estréia do “rock espacial”, o êxtase através do banho de sensações auditivas. Mais uma vez e já seguindo o que viria a ser uma tradição, a capa do álbum também é uma viagem. Olhando para ela muito atentamente, você percebe que são colagens de várias imagens. Hoje qualquer design meia-boca munido de um computador com o photoshop é capaz de fazer milagres, mas lembre-se que estamos em 1968! Uma curiosidade é que alguns desenhos que ilustram a capa foram recortados de revistas em quadrinhos da Marvel. Mesmo com todas as limitações da época, a capa de “A Saucerful Of Secrets” é muito boa, mantendo todo o clima espacial, viajante e psicodélico que era a proposta do Floyd nessa época. Vou comentar agora um pouco sobre cada faixa, lembrando sempre que “Pink Floyd não se ouve... Se experimenta!
1) Let There Be More Light, autoria de Roger Waters com 5’:38“ Vocais: Richard Wright, David Gilmour e Roger Waters. Essa faixa conta com uma base de baixo hipnótica, e também com o primeiro solo de guitarra de David Gilmour num álbum do Pink Floyd.
2) Remember a Day, autoria de Richard Wright com 4’:33” Vocal: Richard Wright, é uma belíssima faixa, com uma psicodelia e suavidade refrigerante, uma canção que te conduz a lugares muito confortáveis. Demonstra o enorme talento deste Floyd pouco valorizado pela mídia em geral.
3) Set The Controls For The Heart Of The Sun, clássico de autoria de Rogers Water com 5’:28” Vocal: Roger Waters, única faixa a reunir os 5 Floyds, nesta faixa tocam guitarra David Gilmour e Syd Barrett juntos. Destaque para a bateria tribal de Nick Mason. Uma faixa ímpar, envolta numa aura de mistério. Emblemática, nebulosa, viajante e progressiva, trilha sonora de uma viagem inter galáctica.
4) Corporal Clegg, autoria de Roger Waters com 4’:13”, Vocal: David Gilmour e Nick Mason, essa faixa tem aquele psicodelismo em tom de diversão, típico do “Piper At The Gates Of Dawn”, fala sobre um soldado com perna de madeira, e menciona a Segunda Guerra Mundial. Roger Waters disse que essa canção se refere a seu pai e suas dificuldades na Segunda Guerra.
5) A Saucerful Of Secrets, autoria Roger Waters/Richard Wright/David Gilmour/Nick Mason com 11’: 57”, nessa faixa os instrumentos buscam experimentações sem fronteiras, criando uma atmosfera sonora caótica . Após o caos sonoro atingir o clímax, nasce uma suavidade musical que conduz o ouvinte ao santuário. Uma obra prima do rock progressivo!
6) See Saw, autoria de Richard Wright com 4’:36”, Vocal de Richard Wright, outra bela contribuição de Rick, é uma balada em tom psicodélico.
7) Jugband Blues, autoria de Syd Barrett com 3:00', Vocal: Syd Barrett, é a última faixa dele a entrar num álbum do Pink Floyd. Uma boa oportunidade para curtir seus últimos momentos na banda. Esse álbum consolidou o rótulo da música do Pink Floyd como ”Space Rock”, e também podemos dizer que este disco é um dos marcos do rock progressivo. Longas passagens instrumentais, músicas de longa duração, desenvolvimento de um tema central, composições e arranjos complexos.
A Saucerful Of Secrets é um álbum de transição da banda para uma nova etapa, que começa a definir e a traçar o escuro e os impulsos repetitivos que caracterizariam os próximos trabalhos. Definitivamente, não é um disco de fácil digestão, pois muita gente conhece mais o Pink Floyd por discos mais comerciais, porém é um disco excelente, cheio de nuances e riquíssimo em detalhes sonoros, um prato cheio para músicos da atualidade se inspirarem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Relembrando

Nesse último final-de-semana dei uma saidinha rápida do Principado. Retornando para casa no cair da noite em boa cia … E entre uma palavra e outra, um sorriso e outro, isso aqui entrou melodicamente…

Já fazia um tempo que não ouvia (e também não via) tão bela canção e a mesma começou num momento assim, tão bom que não posso deixar de comentar aqui em Noites. A letra para acompanhar:

Isn't It A Pity
(George Harrison)

Isn't it a pity
Now, isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity

Some things take so long
But how do I explain
When not too many people
Can see we're all the same
And because of all their tears
Their eyes can't hope to see
The beauty that surrounds them
Isn't it a pity

Isn't it a pity
Isn't is a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity

Forgetting to give back
Isn't it a pity
Forgetting to give back
Now, isn't it a pity

(6 times, fade the 6th:)
What a pity
What a pity, pity, pity
What a pity
What a pity, pity, pity

E tem gente que ainda acha que George Harrison não é tão assim!Acredito que não deve conhecer muito bem o seu trabalho. A tradução pode ser vista aqui!

Mas o que vai ficar registrado mesmo é o momento… Foi show!!! :)